sexta-feira, 22 de novembro de 2013


Fanor|Devry - Profa. Carla Bastos Vidal




Olá Pessoal,

O post de hoje tem um tema digamos que um pouco mais complicado de abordar, na minha concepção, o tema é sobre Amor, Humildade, Fé nos Homens, Esperança e um Pensar Crítico! Esses são os pressupostos do diálogo freiriano que norteiam a comunicação educador-educando.


Falei complicado, porque acredito que cada tutor tem uma maneira diferente de “enxergar” e relacionar cada um desses cinco pressupostos citado acima com a EaD, inclusive o amor, que geralmente é visto de maneira diferente por cada pessoa.

Claro, o blog é sobre tutoria, logo iremos focar no amor ao ensino à distância, essa modalidade de ensino que é tão “ou ame ou odeie”, mas como não amar um método de ensino que só vem a agregar em nossa sociedade? Possibilitando que tantos alunos possam cursar o ensino superior? alunos esses que antes eram impossibilitados por limitações geográficas, acredito que a EaD tem essa função de alcançar esses alunos. Mas também é uma modalidade bastante odiada, acredito que pelo descaso que fazem com ela, dos próprios alunos e de alguns tutores até, que não acreditam na modalidade e “levam com a barriga” as turmas que ministra. Em um dos fóruns do Curso de Formação Continuada que participo, um dos tutores fez o seguinte pensamento crítico:

“Procurar fazer nosso melhor como tutores é muito importante, ou os alunos se vêem participando de um verdadeiro pacto de mediocridade, alimentando ainda mais seu descaso com o curso que querem ver valorizado, mas que eles mesmos desvalorizam muitas vezes. Não podemos apoiar esta desvalorização da EaD. Pelo contrário, nós tutores devemos fazer nossa parte por avanços no Ensino, começando pelo compromisso de mostrar que temos critérios sérios de avaliação, que não "passamos" alunos por excessiva compreensão.”(Allen Barros)

Esse trecho resume muito do que gostaria de passar para vocês em relação ao amor que os tutores devem ter pelos próprios alunos, sempre os estimulando ao estudo, ao comprometimento com o curso, lógico ressaltando sempre a importância de profissionais competentes para o nosso mercado, o tutor deve sempre tentar estimular o aluno, como diria Paulo Freire: “O ato de amor está em comprometer-se com sua causa”. Esse estímulo do tutor deve vir acompanhado de fé nos seus alunos, principalmente para com aqueles mais desanimados com o método da EaD, porém devemos sim ter critérios avaliativos sérios.

Acredito que neste contexto, a fé nos homens e a esperança andam de mãos dadas! Pois até para estimular nossos alunos antes devemos está sempre estimulados como tutores, e como fazemos isso? A constante atualização sobre o assunto da disciplina é fundamental para que nos estimulemos sobre a melhor maneira de transmitir o conteúdo, sempre nos organizando quanto ao tempo dedicado aos nossos alunos, enfim são diversos os fatores que nós tutores devemos manter a nosso favor. Novamente, citando Paulo Freire, nós tutores temos que ter fé no nosso poder de fazer e refazer, criar e recriar. Fé na nossa vocação de ser mais, que não é privilegio de alguns eleitos, mas direito dos homens.

Mas como posso ser uma tutora comprometida com meus alunos se não tenho humildade? Se não reconheço que o processo de ensino-aprendizagem é uma via de duas mãos?

“Como posso dialogar, se alieno a ignorância, isto é, se a vejo sempre no outro, nunca em mim?” (Paulo Freire).

O sentimento de humildade na EaD começa com uma redefinição dos papéis de  professores e alunos. A aprendizagem passa a ser centrada no estudante, ou seja, os educadores não detêm mais o monopólio do saber, mas devem posicionar-se como parceiros, oferecendo aos alunos suporte e orientação para que desenvolvam seus conhecimentos. Os monólogos devem, aos poucos, ser substituídos pelo aprender junto, pela troca interativa (Castro-Filho e David, 2009).

“Sempre há o que aprender, ouvindo, vivendo e sobretudo, trabalhando, mas só aprende quem se dispõe a rever as suas certezas.” (Darcy Ribeiro).

Vou terminando esse post falando sobre a importância do pensar crítico na EaD, ora, mas do que adianta fazermos melhorias em todos os aspectos da nossa atuação como tutor: dando mais atenção aos alunos no virtual, estimulando-os o tempo todo a participarem dos fóruns (com reais contribuições), chats, lembretes de entrega dos portfólios no prazo, entrega dos exercícios, entre outros estímulos, se o próprio tutor não tiver um pensar crítico sobre o conteúdo da disciplina, se o mesmo não reflete a fundo o próprio conteúdo que ministra? Não podemos ver o conteúdo da disciplina como um produto, algo acabado, devemos sempre renovar as ideias por assim dizer e o diálogo com os próprios alunos é a melhor maneira de fazer isso.


Para Freire (2006), é o diálogo que possibilita o conhecimento do mundo, da natureza e do social. É nas relações dialógicas que os indivíduos desenvolvem suas ideias, sua visão de mundo, contrapondo suas concepções pessoais com as de seus semelhantes (Castro-Filho e David, 2009).

Abraço!!

3 comentários:

  1. Boa noite Carla!

    Excelente texto!
    Realmente o amor é algo difícil de ser definido por ser diferente para cada uma de nós.
    Gostei muito do link que fez entre o curso de formação e as indagações de Paulo Freire! Ficou ótimo!

    Um abraço!

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  2. Carla,

    seu texto é inspirador!!!!!
    Sua preocupação com os modos de enxergar os pilares freirianos demonstram sua maturidade, não apenas como tutora, mas como educadora.
    Outro ponto que gostei muito em seu texto foi o "ame ou odeie" rsrsrs.
    Iniciar uma nova cultura sempre é um desafio.

    Um forte abraço!

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  3. Carla,
    Concordo com você quando você menciona sobre ensino à distância,ame ou odeie, é assim que às vezes a gente se sente. Também gostei da sensibilidade que você teve ao relacionar com os pilares de Paulo Freire!
    Abraços
    Regina

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